quinta-feira, 4 de março de 2010

Ao cair da noite

O dia, então, partia mais uma vez. Riscos vermelhos, cor de sangue, cortavam o sereno azul que se apagava entre as estrelas.
Era como se uma sombra negra invadisse as entranhas de sua alma. O ar que respirava lhe envenenava o coração.
Por um momento sentiu frio, e o medo cobriu-lhe todo o tipo de sentimento que pudera ter. Estava vazio, e já não mais cantava. Era apenas uma alma em decomposição cujo corpo ainda não havia se desintegrado.
Lembrou-se dos sorrisos, da troca de olhares e de todas as palavras que acreditara ser de um amor recíproco. Estivera enganado ao pensar que alguém como ele seria o responsável por causar paixão à uma doce menina. A doce menina farsante, que fingiu amar o desconhecido. A garota calculista que armou um labirinto de rosas, onde apenas sangue brotaria de suas pétalas.
Estava dilacerado e fraco demais para pensar.

A noite, então, desabou em escuridão.
Não saberia dizer quanto tempo estivera ali, parado no mesmo lugar com sua mesma expressão dura e cruel marcando-lhe o rosto melancólico.
Queria poder tirar-se dali, do seu pequeno mundo conturbado, de suas fracas ilusões e sonhos impossíveis. Sua cabeça pesava-lhe as idéias.
Quis chorar, e chorou. Talvez de uma forma como nenhum outro humano o faria. Chorou como choram os deuses pela raça dos perdidos.

Ao cair da noite...

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