quinta-feira, 21 de junho de 2012

Além do que os olhos vêem

Olhou para o chão como a procurar um ponto de foco para seus pensamentos abstratos. Quisera distanciar-se de toda a mediocridade que o envolvia. Não contentava-se com o mediano, sempre quis ser muito além do que a sociedade lhe propunha.
Risos altos e alegres. Riam de quê? Seria de mais uma estúpida novela, ou notícia, ou "celebridade" da televisão? Ou riam porque eram felizes? Ou riam de desespero?
Olhou para o chão, mas sua mente divagava pelo ambiente. De todos os "sons" que ouvira, o vento era o que mais lhe agradava, por soar natural. Humanos sempre foram ridículos e barulhentos, pensou.
Era também ridículo e barulhento? Cresceu fugindo do padrão. Era também "humano"?
Seus olhos desfocaram por um momento, observou as ruas da cidade. Prédios imensos cortavam o céu que já não era mais azul. Pessoas corriam de um lado para outro, desesperadas por algo que nem elas mesmo sabiam. Era ridículo e seria até cômico, se não fosse triste.
Superficial. Era assim que definia aquele mundo. O "seu" mundo era de diversas cores. Não tinha forma, nem pessoas desesperadas, nem prédios cortando céu, não havia nem céu! O "seu" mundo era melhor, então por que fora obrigado a viver neste, tão cinza e superficial?
Choraria se pudesse. Choraria se sentisse que suas lágrimas valeriam a pena por aquela humanidade estupidamente humana!
Sentia-se mais humano que qualquer um à sua volta. "Tão acostumados ao automático, tão superficiais... vivem como máquinas, mas são humanos!", riu. Tudo era tão patético.
Olhou para o céu e sentiu tristeza. De que adiantaria pensar tanto se suas ideias ficariam pra sempre dentro de si? Por que se preocupava tanto com os sentimentos humanos? Por que fora nascer justamente um?!
Olhou para além das ruas, calçadas, janelas, vitrines. Olhou para tudo e riu de tristeza. Era assim que o mundo lhe apresentara: patético, superficial e solitário...

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