Uma explosão foi o que aconteceu. As luzes apagaram e acenderam, e apagaram novamente. Logo mais o desespero, e pessoas, e vozes, e confusão, e desespero outra vez.
-O que aconteceu? - perguntavam todos, desnorteados.
O cenário foi auto-explicativo. Era só mais uma daquelas reportagens de televisão: "Acidente de carro em madrugada de sábado para domingo", típico.-Você está bem?
Obviamente não. Mas não era apenas o corpo, a alma também implorava por socorro. Aquele vazio enorme que abrira em seu peito, e todos os questionamentos morais de seus pais, e a responsabilidade e o peso de ser 'adulto', lhe gritavam na consciência. Queria esconder-se e fugir, mas estava fraco. Queria chorar mas o peito doía.
-Calma, você vai ficar bem. Vou ligar para os seus pais. Daqui a pouco a ambulância chega.
Eram 5h da manhã mas a rua estava cheia e movimentada. Carros não paravam de passar, e corriam independente do acidente. Carros desesperados por sua garagem, tais como este.
Sangue e lágrimas juntavam-se numa composição única de medo e aflição.
-Por que eu? Por que comigo?
Os pais chegaram. A ambulância chegou. Os policiais chegaram. Quase ao mesmo tempo, quase como se tivessem combinado previamente.
-Filho, você está bem?
-Me desculpa mãe, me desculpa...
-Tudo bem, acontece. Não chora. Vai ficar tudo bem.Um homem observava a carcaça do carro chocado contra o poste. Seu olhar era de desaprovação.
-Por favor, dêem licença pra gente poder colocar ele na maca. - pediu um enfermeiro.
Frio. A noite soprava um vento gelado sem piedade.
Eram 6h da manhã. As formalidades já tinham sido cumpridas. A ambulância partiu levando garoto e mãe.
-Pra esse garoto saiu de graça. - comentou um policial.
O pai permaneceu mais 10 minutos resolvendo os assuntos "pendentes" e materiais.
Pai e polícia partiram.
Só sobrou a calçada ensanguentada, a carcaça do carro, o poste ainda firme no chão, os espectadores indo embora.
Era só mais uma daquelas histórias de televisão.
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