Suas mãos tremiam, mas não era só de frio. Sentia aquele sentimento negro percorrer-lhe as veias, fazia parte de seu sangue agora.
Seus olhos ardiam, as lágrimas lutavam para sair, mas sua mente não permitiria. Chorar não era digno.
Ainda que fosse mais um medíocre ser humano, ainda que seus sonhos e ambições não passassem de besteiras e infantilidades, ainda que o mundo lhe oprimisse por sua excentricidade, de que valeria se importar?
A dor já lhe fora o suficiente. Agora bastava se acalmar, reformular seus planos, reconstruir sua mente.
Lembrou-se do que ela disse: "E o medo? E a angústia da solidão?". Soltou uma gargalhada rouca. Não era um riso alegre, tampouco triste... era só desespero. Eterno e profundo desespero.
O que podia fazer? Se entregar àquela luta sem fundamentos por uma consideração vaga e superficial? Não era tão forte quanto parecia. Sua alma padecia ao menor dos obstáculos.
Precisava crescer, sim, ele o sabia. Precisava encarar o mundo com seus olhos de "adulto". Mas o que era ser adulto afinal? Ser adulto era enfrentar o mundo com orgulho e desprezo? Era ignorar a dor alheia para impor sua própria? Ser adulto era se esquecer de seus sonhos de infância? Era fingir que eles nunca existiram?
Era tão humano quanto pudera ser, e talvez por isso o chamavam de "idealista", "sonhador".
Pobre menino imaginário que se tornara. Pobre garoto de madeira obrigado a permanecer na "realidade"...
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