Eu guardei meu coração num cofre e tentei viver minha vida. Quando dei por mim continuava sozinha, mas a dor era muito menor.
Certo dia alguém encontrou as chaves desse cofre, abriu-o sorrateiramente e levou meu coração para algum lugar. Talvez fosse melhor se o tivesse destruído, pois a dor voltou e tornou-se permanente.
Eu não sei onde ele está, pode ser que esteja morrendo. Se for assim será melhor...
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O instinto me fez tentar reparar os estragos feitos de uma vida sem coração. Ele errou. Disse-me que tudo ficaria bem se eu amasse incondicionalmente, e eu amei, mas não incondicionalmente porque sou humana.
E no começo a dor passou, e foi bom. Mas o fim da história é imutável, e ela voltou e trouxe consigo a solidão. Pensei ter sido erro meu, talvez outra tentativa compensaria, talvez eu não tivesse amado o suficiente. Ledo engano... boa tentativa!
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E se o tempo curasse a solidão? E se ela mesma lhe fosse uma dádiva? Seria um erro desperdiçá-la.
Viver do silêncio, torná-lo seu único amigo. E o pior era ninguém se importar. Mas por que isso era tão importante? Por que ser importante para alguém era tão importante? Por que ser humana era tão humanamente horrível?
Maldito coração que sumiu e se perdeu nesse maldito mundo. Maldito apreço e malditos sentimentos que lhe fizeram sentir falta de ter um coração.
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